[bloqueador]Gaúcho de Porto Alegre, Lucas Lixinski, de 35 anos, passou por diversos continentes com visto de estudante até se fixar na Oceania com permissão para trabalhar. Formado em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele decidiu fazer pós-graduação fora do país pela curiosidade de conhecer o mundo, mas, depois de um conflito de prazos que o impediu de fazer um concurso público no Brasil, acabou conseguindo emprego como professor universitário na Austrália.

(Lucas Lixinski é o terceiro entrevistado na série “Trabalhar no exterior”, do Guia de Carreiras do TG, que mostra a trajetória e as dicas de quem fez a graduação no Brasil e hoje seguem carreira de sucesso no exterior. Veja outras histórias ao fim da reportagem.)

Por causa dos sistemas de leis muito diferentes, advogados formados em um país dificilmente conseguem exercer a profissão em outro sem ter que refazer o curso de graduação. No caso de Lixinski, porém, sua carreira é focada no direito internacional, principalmente em relação aos patrimônios culturais.

Mas ele só chegou a Sydney por acaso, depois de ter vivido na Hungria, na Itália e nos Estados Unidos. Já com o diploma de doutorado, ele começou a buscar processos seletivos para o pós-doutorado, que, segundo ele, é visto fora do Brasil mais como um emprego do que como um período sabático de estudos.

“Tentei vários países na época, bastante coisa nos Estados Unidos e na Europa”, contou ele em entrevista ao TG. “Meio por acaso, um amigo mostrou um anúncio de pós-doutorado na Austrália.”

Formado em direito na UFRGS, o gaúcho Lucas Lixinski hoje é professor de direito internacional na Universidade de New South Wales, na Austrália — Foto: Arquivo pessoal/Lucas Lixinski

Maior probabilidade de emprego fixo

Ele se inscreveu e foi aceito. “Na semana seguinte recebi resposta positiva de outro [processo] na Noruega, mas, refletindo, achei que, das duas opções, a Noruega era mais específico, e na Austrália eu estaria mais inserido na universidade em geral, teria mais chance de ficar lá.”

O cálculo deu certo. Ele desembarcou em Sydney e no primeiro dia já estava na Universidade de New South Wales (UNSW). Ele inicialmente chegou com o visto J1 do governo australiano, que é temporário e destinado a profissionais com formação nas áreas de demanda do país.

No fim do período de pós-doutorado, porém, ele foi informado de que a instituição abriria uma vaga de emprego fixa para ele e, na hora em que seu visto venceria, ele já tinha tempo suficiente no país para ganhar a residência permanente.

Desde então, Lixinski inclusive já se tornou coordenador do programa de mestrado em que trabalha e, por isso, precisa fazer diversas viagens ao exterior.

Mesmo assim, ele afirma que não é fácil ascender na carreira sendo um brasileiro na Austrália. “Existe a ideia de que o nacional de um país em desenvolvimento tem que se provar muito para ganhar o respeito dos colegas”, explica ele, citando um ditado popular, por lá, que diz que alguns precisam “trabalhar o dobro para conseguir metade do reconhecimento”.

O brasileiro também esteve na Universidade de Cambridge, no Reino Unido como fellow de uma das faculdades — Foto: Arquivo pessoal/Lucas Lixinski

Vantagens da vida na Austrália

Em comparação com suas passagens pela Itália e pela Hungria, Lixinski diz que prefere a vida na Austrália por uma série de motivos, inclusive o geográfico.

Segundo ele, as similaridades dos países do Hemisfério Sul, que celebram o Natal durante o calor do verão e compartilham o mesmo lado para onde a própria sombra aponta, são algumas das vantagens que ele vê no país.

“Foi mais fácil me adaptar à Austrália. O povo é acolhedor, a burocracia funciona, a sombra aponta sempre para o Sul. São coisas que você nem percebe, é inconsciente.”

Atualmente, a vida de Lixinski já está bem estabelecida: além do emprego, ele é casado com um jornalista irlândes, que conheceu na Austrália, e o casal não tem planos imediatos de sair de lá.

Já sobre as desvantagens, o professor universitário vai além do tradicional combo “saudades de casa e da família”. Longe de casa há 13 anos, ele diz que sente falta da família, mas que também existe uma perda irreparável em escolher estar fisicamente em outra parte do mundo.

Além de manter uma conexão com sua terra natal na parede da sala de casa, com uma gravura de um gaúcho que ele guarda desde a adolescência (assista no vídeo acima), Lixinski também procura atrelar sua carreira profissional ao Brasil.

“Tento não ser muito ‘informante’, mas sempre usar um exemplo do Brasil e da América Latina”, disse ele, explicando que esse tipo de exposição ajuda a região a ter mais relevância no mundo inteiro. “Provar que [os exemplos] têm validade universal e ecos no mundo acaba influenciando também.”

Além disso, quando está no Brasil, o professor também se dedica ao ensino de direito internacional.

“Eu saí da universidade pública, então eu sinto essa responsabilidade de contribuir de alguma forma, seja dando palestras ou aulas na UFRGS.”

Lucas Lixinski durante uma de suas viagens a trabalho representando a Universidade de New South Wales — Foto: Arquivo pessoal/Lucas Lixinski[/bloqueador]